O passo sem mapa e a sua sustentação
Não se escolhe com a certeza da chegada, mas com a convicção de que não é mais possível permanecer no ponto de partida. A decisão inaugural é um movimento no escuro, uma aposta solitária que dispensa a aprovação externa porque se ancora numa clareza interna, ainda que frágil. Não há como saber se o caminho será mais fácil ou se o destino será o imaginado. O ato de escolher, nesse lugar adulto, é menos sobre prever o futuro e mais sobre assumir a autoria do presente. Sustentar essa escolha é o trabalho que se segue. É uma tarefa silenciosa, sem plateia, que consiste em arcar com o peso e a liberdade do passo dado. Implica não recuar diante do primeiro obstáculo, não se justificar incessantemente, nem buscar culpados quando o terreno se mostra árduo. A coerência não reside em ter feito a escolha ‘certa’, mas em não se abandonar depois de tê-la feito. É responder pelo próprio trajeto, na quietude de quem sabe o porquê de ter começado a andar.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 19 — Posicionamento Não Negociável