O parlamento interior em conflito

Dentro de nós não habita uma voz única, mas um parlamento de eus. Há o eu que busca segurança a qualquer custo, o que anseia por autenticidade, o que teme a solidão e o que exige crescimento. O desalinhamento acontece quando estas facções entram em guerra civil, e o poder é entregue àquela que grita mais alto, geralmente o medo ou a conveniência.

Quando este conflito se torna o estado padrão, a vida interior perde a sua unidade. Cada decisão, por mais simples que seja, transforma-se num debate exaustivo. Uma parte de nós sabe o que precisa ser feito, enquanto outra se aterra às consequências imaginadas da mudança. Vive-se, então, num estado de fragmentação, onde a energia se dissipa na luta entre querer e fazer, entre saber e sustentar. O resultado é uma paralisia velada, um movimento que acontece apenas na superfície, enquanto o núcleo permanece estagnado e consumido pela tensão.

A jornada para a inteireza não consiste em silenciar as vozes dissidentes, mas em assumir a presidência deste parlamento. A consciência, quando assume o seu lugar, aprende a escutar a todas as partes sem se tornar refém de nenhuma. É ela que, com serenidade e firmeza, delibera em favor da coerência, compreendendo que a paz não vem da ausência de opiniões divergentes, mas da capacidade de agir a partir de um centro unificado e responsável.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

Compartilhe esta reflexão