O Instante Antes do Contorno Emprestado

Esse momento não chega com alarde. É um movimento interno, uma inclinação sutil da consciência que, se não vigiada, desvia a jornada da evolução interior. Nesse espaço silencioso, a inspiração, que ilumina, cede lugar à imitação, que apenas sombreia o próprio contorno. A voz interna é gradualmente substituída pelo ruído da comparação, e o caminho que era para ser construído passa a ser apenas um reflexo pálido de uma trajetória que não nos pertence.

Retomar o curso da própria evolução interior exige, primeiro, a capacidade de perceber essa inclinação. É o trabalho de permanecer no desconforto do próprio vazio em vez de preenchê-lo com uma forma emprestada. A solidez que buscamos no exemplo alheio não pode ser importada; ela é o resultado de um processo lento, particular, que atravessa as nossas próprias fragilidades e descobre uma força que se sustenta por si mesma, sem depender do molde de ninguém.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 3 — Identidade Não Se Imita