O Fim do Eco e o Início da Voz
Enquanto o passado serve como explicação para tudo, a vida encontra um lugar de repouso imóvel. É um conforto amargo, o de saber a quem ou a que culpar, mantendo-se protegido da vertigem de ter de escolher. As justificativas, antes escudos, tornam-se as paredes da cela onde a mesma narrativa ecoa sem cessar, aprisionando a própria voz.
O instante fundamental não é um ato de heroísmo, mas de esgotamento. É a exaustão de recontar a mesma história. Nesse silêncio, quando a energia da acusação se dissipa, a responsabilidade emerge não como um fardo, mas como um espaço. Responder não é ter a solução, mas assumir a autoria da próxima pergunta. É a travessia da condição de efeito para a de causa, ainda que a causa de um único e singelo movimento.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 20 — Escolher Quem Você Se Torna