O Esgotamento do Álibi
Existe um ponto de esgotamento da narrativa de culpa. Um instante em que apontar o dedo para o passado, para os outros ou para as circunstâncias já não oferece consolo, apenas o eco da própria estagnação. É um cansaço sóbrio, que emerge não de uma crise ruidosa, mas de uma quieta repetição. Nesse lugar, a energia que antes alimentava a queixa e a justificativa se dissipa, deixando um vácuo. Já não se pergunta “por que fizeram isso comigo?”, mas sim um sussurro interno começa a questionar: “e eu, o que farei com isso?”.
Essa mudança na pergunta interna é a discreta transferência de autoridade para si. Não se trata de absolver o mundo ou de assumir a culpa pelo que nos feriu, mas de reconhecer que o poder sobre a resposta sempre esteve conosco. Responder é um ato de maturidade que interrompe a espera por um pedido de desculpas que talvez nunca venha, por uma reparação externa que não chega. É o começo do fim do vitimismo, não como um julgamento, mas como a constatação de que o papel de vítima, embora possa ter sido real, agora limita. A responsabilidade, aqui, é simplesmente o ato de pegar o fio da própria história e começar a tecer o próximo passo, ciente do seu peso e da sua liberdade.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 1 — Consciência Exige Ação