O eco familiar no silêncio alheio

Há um tipo particular de silêncio que se segue a uma grande mudança. O ruído da partida, da adaptação e da novidade cessa, e o que resta é o presente. É nesse espaço vazio, que prometia ser uma página em branco, que um som familiar começa a ressoar. Não vem de fora. É um eco de dentro.

Esse eco é a assinatura de nosso padrão. Pode ser a pressa em um ambiente que pede calma, a desconfiança em meio a braços abertos, a autossabotagem diante de uma oportunidade real. É a nossa própria voz, de um tempo e lugar anteriores, soando no novo cenário. Ela nos lembra, sem julgamento, que o ambiente pode ser outro, mas o habitante ainda responde a velhos estímulos.

Escutar esse eco sem desespero é um exercício de profunda sobriedade. É compreender que a liberdade não está em encontrar um lugar onde ele não exista, pois ele é parte de nós. A liberdade está em aprender a ouvi-lo, reconhecer sua origem e, conscientemente, escolher não dançar mais conforme a sua música. A maturidade se revela não na ausência do eco, mas na serenidade com que decidimos qual melodia seguir.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

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