O Dedo que Deixa de Apontar

O momento que sucede a escolha costuma revelar uma antiga inclinação: a busca por um culpado. Apontamos para o mundo, para o outro, para as circunstâncias que não se curvaram à nossa vontade. É o último refúgio da mente que se vê como vítima, a tentativa de nomear um responsável externo para o desconforto que é, na verdade, nosso. A fricção entre a decisão e a realidade é sentida como uma injustiça, um sinal de que algo está errado lá fora.

Mas há um ponto de virada silencioso, quase imperceptível. É o momento em que a pergunta “Quem fez isso comigo?” se dissolve e dá lugar a “O que farei a partir daqui?”. Neste ponto, a culpa cede à responsabilidade. Não uma resposta heróica, mas o simples ato de assumir a própria posição diante do que se apresenta. É o fim da acusação e o início da autoria. Deixamos de ser o efeito de uma trama alheia para nos tornarmos a causa serena dos nossos próximos passos.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 6 — A Postura Que Te Sustenta