O cenário muda, o roteiro permanece

As dinâmicas que nos levaram ao esgotamento no trabalho anterior encontram eco no novo escritório, ainda que sob pretextos diferentes. A carência que minou um relacionamento ressurge no próximo, disfarçada de um novo tipo de demanda. Os personagens e os cenários são substituídos, mas o enredo principal, aquele que se desenrola dentro de nós, insiste em se repetir. Percebemos, com algum desalento, que éramos o denominador comum em todas as equações.

O verdadeiro ato de recomeçar não é um deslocamento físico, mas um reposicionamento interior. A liberdade não está em encontrar o ambiente perfeito, imune aos nossos gatilhos, mas em desenvolver a capacidade de responder de uma nova forma, independentemente do cenário. É um trabalho menos sobre encontrar a porta de saída e mais sobre construir uma nova maneira de habitar qualquer sala em que estejamos. A paisagem só muda de verdade quando a forma como olhamos para ela se transforma.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição