Libertar o Outro de Nós Mesmos

Há uma prisão sutil nos vínculos onde o outro é convocado a preencher os espaços vazios que carregamos. Concedemos a ele a tarefa de nos validar, de silenciar nossos medos, de ser a resposta. E, sem perceber, deixamos de nos relacionar com uma pessoa para nos relacionarmos com a função que impusemos a ela. O afeto se confunde com dependência, e a presença do outro se torna a condição para a nossa paz.

A verdadeira liberdade no encontro só emerge quando tomamos de volta essa responsabilidade. É o ato adulto de olhar para os próprios abismos sem exigir que o outro os ilumine por nós. Ao libertar o parceiro, o amigo ou o familiar do dever de nos salvar, algo novo acontece: a escolha se torna genuinamente possível. A presença deixa de ser uma necessidade e passa a ser uma oferta, despida do peso da cobrança. É dessa inteireza que nasce um tipo diferente de liberdade, que permite ficar ou partir não por carência ou medo, mas por clareza.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 18 — Relacionamentos Conscientes