Assumir os muros que nos libertam
Há um cansaço que nos faz sentir reféns das demandas externas, como se o mundo nos esgotasse sem permissão. No entanto, a maturidade revela uma verdade silenciosa: a porta do nosso mundo interno raramente é arrombada; na maioria das vezes, nós a deixamos aberta. Assumir a autoria sobre a própria vida é reconhecer que a energia que se esvai passa por uma fronteira que nós mesmos deixamos de vigiar. Não por maldade ou fraqueza, mas por um hábito antigo de confundir disponibilidade com valor.
Esse reconhecimento é o ponto de virada. Ao tomar para si a responsabilidade por aquilo que permitimos entrar, saímos do lugar de quem apenas reage ao mundo para o lugar de quem escolhe seu modo de estar nele. A liberdade que emerge desse ato não é ruidosa. É a calma de poder oferecer uma presença inteira, porque ela nasce de uma escolha consciente, e não mais de uma obrigação velada. É a soberania de saber que proteger o próprio centro não é egoísmo, mas a condição para que a nossa ajuda ao outro seja genuína, e não um sacrifício que gera ressentimento.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 9 — Autoproteção Emocional