A vida que não se constrói enquanto o passado se repete

Nossa energia vital é um recurso finito. Podemos imaginá-la como uma fonte, da qual bebemos para criar, para nos conectar, para aprender e para simplesmente estar presente no fluxo da vida. A repetição de um padrão disfuncional age como uma fissura nessa fonte. Cada vez que a mente retorna ao mesmo circuito de dor, cada vez que o corpo revive a mesma tensão, uma porção dessa energia criativa vaza, desperdiçada no esforço de gerir um conflito antigo.

Esse esgotamento vai muito além de um simples cansaço físico. É um esvaziamento da capacidade de construir. A energia que seria naturalmente destinada a cultivar novos interesses, a aprofundar relações ou a solucionar desafios inéditos é inteiramente consumida na manutenção do drama interno. O espaço mental fica tão ocupado com a revisão do passado e com a ansiedade da próxima repetição que não sobra lugar para a percepção do novo. A vida acontece lá fora, mas aqui dentro o cenário é sempre o mesmo.

Interromper o ciclo é, portanto, um ato de recuperação de si mesmo. É estancar a hemorragia da energia criativa. Ao decidir não mais alimentar o padrão, não estamos apenas nos livrando de um peso, mas reivindicando os recursos internos para edificar o futuro. O fim do cansaço existencial coincide com o momento em que a nossa força deixa de ser reativa, usada para consertar o que se quebra repetidamente, e se torna proativa: livre para imaginar, para plantar e para ver crescer algo que, finalmente, não seja a sombra de ontem.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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