A sobrecarga do silêncio consentido
Há um tipo de cansaço que não se resolve com descanso. É a exaustão que nasce da dissonância, do espaço que se abre entre a nossa verdade e a nossa voz. Cada vez que consentimos com um silêncio que nos agride, cada vez que um “sim” escapa dos lábios enquanto um “não” ecoa internamente, acumulamos um pequeno fardo. Isoladamente, parecem insignificantes. Juntos, compõem o peso que nos curva os ombros sem que saibamos o porquê.
Este desgaste não é ruidoso. É uma corrosão lenta, que se manifesta na irritabilidade súbita, na falta de paciência com o trivial, na dificuldade de encontrar alegria onde antes ela residia naturalmente. É o corpo a sinalizar a dívida que a mente tenta ignorar. A energia vital, em vez de ser investida na criação e na vivência, é desviada para a constante manutenção de uma fachada, para o esforço de sustentar uma paz que é apenas aparente.
A verdadeira quietude não se encontra na ausência de conflito externo, mas na presença de harmonia interna. Reconhecer essa sobrecarga é o primeiro passo para reivindicar a energia que nos pertence. É compreender que o nosso bem-estar não é negociável e que a coragem de expressar a própria verdade, mesmo que de forma tranquila e gradual, é o que nos permite, enfim, respirar fundo e descansar de verdade.
Extraído de
Volume I — Consciência
Capítulo 1 — O Começo é Interno