A Paz Não Nasce do Controle

Ali está o pequeno vaso de barro, um universo silencioso na moldura da janela. O impulso inicial é o de intervir: verificar a umidade da terra, girar o vaso em busca do ângulo perfeito de sol, questionar o porquê de uma folha que ainda não se abriu. É um desejo de reger o mínimo processo da vida, de assegurar que o crescimento obedeça a uma expectativa, a um cronograma invisível que criamos internamente.

Mas há uma maturidade que se revela no recuo. A folha se abrirá em seu tempo, e é nesta observação desinteressada que reside o modelo mais fiel da nossa própria evolução interior. Ela também não obedece a calendários ou à vontade de domínio do ego. A verdadeira transformação acontece quando substituímos a ânsia de gerir pelo ato de nutrir. Nosso papel na evolução de nós mesmos é o de cuidar das condições — da terra, da luz —, e não o de forçar a flor a se abrir. A paz, afinal, não é uma conquista do controle, mas um fruto da rendição.

Extraído de

Volume III — Evolução Interior

Capítulo 9 — A Paz Não Nasce do Controle