A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo
Confunde-se a paz de estar consigo com um estado de alegria permanente ou de ausência de problemas. Contudo, ela é uma das mais discretas e profundas conquistas da evolução interior: a quieta dissolução da guerra interna. É o peso que se deixa de carregar quando a energia, antes gasta para sustentar uma versão de si, é simplesmente liberada. Não há alarde. O mundo pode seguir com seus ruídos e demandas, mas o esforço de representar cessa, e nesse vácuo, a serenidade encontra espaço para respirar.
O paradoxo maduro da evolução interior reside aqui: essa coerência interna que dela emerge não promete aplausos ou compreensão universal. Ao contrário, o ato de se alinhar à própria consciência pode gerar estranhamento naqueles habituados à representação anterior. A paz não significa, portanto, que todos ficarão em paz conosco. Significa que nós permanecemos em paz com nossas escolhas e limites, mesmo diante do descontentamento alheio. É uma autonomia silenciosa, uma inteireza que não precisa de testemunhas.
Extraído de
Volume III — Evolução Interior
Capítulo 18 — A Paz de Estar em Paz Consigo Mesmo