A Omissão e os Pilares que Corroemos
Chamamos de cuidado ou de proteção, mas a omissão é, em sua essência, um ato de autoarquitetura. Erguemos um refúgio para nós mesmos, confundindo o outro com a tempestade. O problema é que essa construção tem um custo invisível: cada tijolo de silêncio é assentado sobre a lenta corrosão dos cinco pilares que sustentam o vínculo.
A Comunicação é a primeira a ser sacrificada, trocada por um monólogo interno de justificativas. Em seguida, a Confiança se esvai na vigilância constante que o segredo exige, criando uma tensão que o outro sente, mesmo sem nomear. O Respeito é sutilmente minado, pois omitir é decidir unilateralmente o que o parceiro é capaz ou não de suportar, tratando-o como um ser frágil em vez de um igual.
Com estes três pilares abalados, a Intimidade não sobrevive onde há zonas de exclusão e segredos a gerir. E, por fim, a Parceria se desfaz, pois a decisão de ocultar algo que afeta o 'nós' é a mais solitária das ações. A energia que deveria nutrir o relacionamento é desviada para a manutenção dessa frágil arquitetura. No fim, o que se buscava proteger — a paz ou o próprio vínculo — é sufocado por dentro, pela estrutura que erguemos para, supostamente, salvá-lo.
Extraído de
Os Cinco Pilares do Relacionamento
Capítulo 3 — A Omissão Também Enfraquece