A liberdade de editar a própria legenda

Cada um de nós vive sob o peso ou a leveza de uma legenda. Uma frase curta, quase imperceptível, que acompanha a imagem da nossa vida: "aquele que sempre cede", "a que dá conta de tudo sozinha", "o que não pode errar". Por muito tempo, confundimos essa legenda com a própria realidade, esquecendo que fomos nós que a escrevemos, ou que permitimos que ela fosse escrita por outros e a adotamos como nossa. Agimos, então, para honrar essa descrição, tornando-a verdade a cada passo.

O recomeço interno floresce no silêncio entre a experiência e a interpretação. É nesse espaço que percebemos a distância entre o que somos e o que dizemos sobre nós. A consciência nos devolve a caneta. Percebemos que não somos a legenda, mas a imagem complexa e multifacetada que ela tenta, de forma redutora, descrever. A liberdade não está em criar uma legenda fantasiosa de perfeição, mas em nos dar o direito de editá-la com mais precisão e compaixão.

Mudar a legenda de "eu preciso ser forte o tempo todo" para "eu tenho força e também o direito ao descanso" não altera o passado, mas redefine radicalmente o futuro. Cada escolha passa a ser um ato de alinhamento com essa nova narrativa, mais íntegra e verdadeira. Essa é a soberania interior: a capacidade de escolher deliberadamente a história que nos guia, não como uma fuga da realidade, mas como a mais profunda forma de nos responsabilizarmos por ela.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

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