A gravidade silenciosa da escolha

É mais simples entregar a autoria, atribuí-la ao destino, aos outros ou às feridas do passado. A consciência, no entanto, retira essa possibilidade confortável e nos deixa a sós com o fato: a partir do que foi visto, o próximo passo nos pertence. Esse é o peso. A solidão da liberdade, a ausência de um roteiro externo, o silêncio que se instala quando as velhas desculpas perdem a voz e só resta a sua própria presença para decidir.

Nesse lugar, contudo, nasce a dignidade. Tomar para si a jornada é um ato de integridade adulta, a troca da condição de passageiro pela de condutor, mesmo que a estrada seja árdua. Não se trata de uma promessa de acerto, mas da coragem de ser o autor da própria história, com suas imperfeições e desvios. É o reconhecimento silencioso de que esta vida é o único território sobre o qual se pode exercer soberania.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 1 — Consciência Exige Ação