A geografia interior não consta nos mapas

Acreditamos, com uma sinceridade quase ingênua, no poder redentor dos recomeços geográficos. Uma nova cidade, um apartamento com outra vista, um caminho diferente para o trabalho. Depositamos na mudança do cenário a esperança de uma transformação que, na verdade, pertence a outra dimensão — a interior. É uma tentativa de fugir de si mesmo, esperando que a nova paisagem, por si só, reescreva quem somos.

Até que, no silêncio de um fim de tarde no novo endereço, o velho conhecido retorna. Não como um fantasma, mas como um traço de personalidade, uma reação automática, uma inquietação familiar. É o momento em que se percebe que a bagagem mais pesada não foi despachada; ela viajou por dentro. O clima que realmente importa não é o da nova cidade, mas o da própria alma.

Essa constatação, embora inicialmente desconcertante, é a verdadeira bússola. Ela aponta para o único território que vale a pena explorar: o de si mesmo. A maturidade não é chegar a um destino externo onde tudo funciona, mas aceitar o convite para a única viagem que pode, de fato, mudar a paisagem: a jornada para dentro.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 1 — O Começo é Interno

Compartilhe esta reflexão