A Dor Que Retorna ao Dono
Existe uma fase em que o desconforto aponta para o outro. A dor parece um evento externo, algo que nos acontece, e a narrativa se constrói em torno de quem a causou. É um mecanismo que aplaca a responsabilidade, mas nos mantém reféns de uma mudança que não depende de nós. A vida se torna uma espera pela ação alheia.
Crescer, nesse sentido, é o movimento silencioso de repatriar a própria dor. É a clareza sóbria de reconhecer a própria participação naquilo que se sente. Aquele cansaço não nasceu apenas da atitude externa, mas da própria concessão repetida, do limite não estabelecido, do silêncio que consentiu. Assumir um posicionamento, então, deixa de ser um ato de confronto com o mundo; torna-se um ato de honestidade consigo, a decisão de não mais se colocar em lugares onde o preço para pertencer é o autoabandono.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 19 — Posicionamento Não Negociável