A Dor Íntima de Assumir o Leme
É comum buscar um lugar externo para depositar a dor que acompanha uma escolha. Culpam-se as circunstâncias, o outro, o caminho não seguido. Essa terceirização é um refúgio da responsabilidade, um eco da imaturidade que espera por uma decisão isenta de perdas. Enquanto a dor é do mundo, a vida permanece como algo que nos acontece, e não como algo que agimos.
A verdadeira mudança é silenciosa. Ocorre quando a pessoa para de narrar sua dor e passa a senti-la como sua. É o reconhecimento íntimo de que o desconforto é o selo de autenticidade da sua autoria. Essa dor não é um erro a ser corrigido, mas a textura da própria liberdade de escolher. Assumi-la é o ato que encerra o vitimismo, a transição para uma existência em que não se busca mais um caminho sem dor, mas a força para sustentar o peso das próprias direções.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 4 — Decisão Também Dói