A dignidade em arcar com a própria dor

Existe uma fronteira sutil que separa a queixa do silêncio responsável. Ao tomar uma decisão e enfrentar suas consequências dolorosas, o impulso infantil é procurar um agente externo para a nossa dor. Apontamos o dedo, lamentamos a reação do outro, nos ressentimos com o desconforto que não previmos. A maturidade, contudo, se revela quando entendemos que essa dor nos pertence. Ela é o eco direto da nossa escolha, a fatura que chega em nosso nome. Não há a quem repassá-la.

Arcar com esse custo é o cerne de sustentar a própria palavra. É a transição de vítima das circunstâncias para autor do próprio caminho, ainda que seja um caminho por vezes solitário e difícil. Deixar de terceirizar o sofrimento não é um ato de heroísmo, mas de integridade. É o reconhecimento sóbrio de que a liberdade de escolher vem acompanhada da responsabilidade de sentir.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 16 — Sustentar a Própria Palavra