A Dignidade de Carregar as Próprias Pausas

Há uma certa infantilidade em acreditar que responder por si é estar em constante movimento, preenchendo cada vazio e reagindo a cada estímulo. Essa agitação, muitas vezes confundida com proatividade, é apenas o ruído de quem ainda não suporta o próprio peso. A verdadeira responsabilidade se revela não na pressa de agir, mas na capacidade de sustentar o silêncio quando a ação serviria apenas para aliviar um desconforto momentâneo, e não para honrar uma direção de vida.

É aqui que a existência adquire sua gravidade, sua dignidade. Assumir o próprio caminho é, também, assumir a responsabilidade pelas respostas não dadas e pelas energias não entregues. Não se trata de uma fuga, mas de uma afirmação soberana sobre o que de fato pertence à sua jornada. Cada provocação ignorada com consciência, cada discussão que se permite morrer sem sua participação, é um profundo ato de autoria. É o adulto que finalmente escolhe o que nutrir, ciente de que nem todo solo merece sua semente.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 8 — Silêncio Estratégico