A contabilidade silenciosa da nossa vitalidade

Imaginemos a nossa energia interna como um orçamento finito, uma reserva de vitalidade que nos é concedida a cada dia. Para onde ela flui? Com frequência, sem que percebamos, uma parcela significativa não é investida em construir o novo, mas em sustentar o velho. É gasta na manutenção de ressentimentos, na ruminação de conversas passadas, na antecipação ansiosa de futuros que talvez nunca cheguem.

Essa dinâmica cria um déficit crônico. A força que poderia ser dedicada a um aprendizado, a uma criação artística, ao aprofundamento de um vínculo, é desviada para cobrir os juros de uma dívida emocional que nós mesmos insistimos em carregar. O "desgaste" mencionado não é um ataque externo, mas o resultado de um sistema interno que opera em modo de emergência constante, reparando avarias que ele próprio provoca.

Tomar consciência dessa contabilidade silenciosa é o primeiro ato de responsabilidade para com a própria vida. Não se trata de uma busca por culpados, mas de uma observação sóbria e honesta: onde estou aplicando meu capital mais precioso? Recomeçar por dentro é, em essência, tornar-se o curador da própria energia, aprendendo a redirecionar seu fluxo das reparações cíclicas para a edificação de um futuro com significado.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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