A calmaria de não ter culpados

Há um momento em que cessa o ruído. A busca por um culpado, a explicação endereçada a outro, a crônica sobre a injustiça sofrida. Quando esse mecanismo se cala, resta a consequência pura, despida de narrativas. Nesse silêncio, o desconforto não é mais um ataque externo, mas o eco da nossa própria voz, a resposta do mundo à nossa ação.

Assumir esse lugar não é ato de autopunição, mas de integração. É reconhecer que a dificuldade sentida é, muitas vezes, o custo da liberdade exercida. O pesar pela renúncia, a saudade do que ficou ou a tensão do que se inicia não são falhas no percurso, mas a textura do caminho que se tornou real por nossa autoria. Responder por isso é o que nos torna caminhantes, e não passageiros que apenas se queixam do trajeto.

Extraído de

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 12 — A Responsabilidade Pelas Consequências