A Autoria Silenciosa dos Nossos Cansaços
É fácil construir narrativas onde somos apenas o resultado das circunstâncias ou das exigências alheias. Nesse enredo, a culpa é sempre do outro — do tempo que não para, do pedido que não cessa, da expectativa que nos encontra. Reclamamos do peso, sem perceber que ajudamos a colocá-lo em nossos próprios ombros a cada “sim” automático, a cada limite adiado. O ponto de virada, silencioso e profundo, acontece quando a pergunta muda. Não mais ‘por que fazem isso comigo?’, mas ‘como eu participei desta dinâmica?’. É neste solo que a responsabilidade germina. Reconhecer a autoria sobre os próprios padrões não é penitência, é apropriação. É o fim da espera por um salvador externo e o início da construção de um caminho que se pode, de fato, chamar de seu. É a liberdade desconfortável, porém real, de ser o único que pode responder pela própria vida.
Extraído de
Volume II — Responsabilidade e Escolha
Capítulo 11 — O Fim da Disponibilidade Excessiva