A arquitetura invisível da mudança começa no chão nu

Nenhuma construção sólida pode ser erguida sobre escombros. A quebra de um padrão é o ato essencial de demolição, de limpar o terreno. O vazio que se segue, portanto, não é um defeito no processo de mudança; ele é o primeiro e mais crucial estágio. É o chão nu, a fundação exposta, o pré-requisito para que algo genuinamente novo possa brotar.

A nossa inclinação imediata é encobrir essa nudez. Jogar um tapete, plantar uma grama qualquer, iniciar uma obra apressada apenas para não ter que encarar a terra crua e a poeira da demolição. É o impulso de trocar uma repetição por outra, muitas vezes tão frágil quanto a anterior, por medo de permanecer no desconforto essencial do recomeço.

Resistir a esse impulso é o trabalho interior. O intervalo entre o fim e o recomeço é o tempo do arquiteto. É o momento de estudar o terreno, de entender por que a estrutura antiga ruiu, de sentir o sol e o vento no local antes de desenhar a primeira linha. A qualidade da casa que construiremos depende diretamente da nossa capacidade de honrar a paciência e a sabedoria que residem neste espaço aparentemente vazio.

Extraído de

Volume I — Consciência

Capítulo 2 — O Peso da Repetição

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