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Acervo Visual

Volume II — Responsabilidade e Escolha

Capítulo 7 — Afastamentos Necessários

Nem todo afastamento é abandono, mas o espaço escolhido para que a nossa própria semente interior possa finalmente vicejar em segurança.

Nem todo afastamento é abandono, mas o espaço escolhido para que a nossa própria semente interior possa finalmente vicejar em segurança.

Significado da imagem

No caminho da responsabilidade, deparamo-nos com escolhas que contrariam o impulso inicial de nos agarrarmos ao que é familiar, ainda que doloroso. A decisão de se afastar de uma pessoa, de uma situação ou de um lugar não é, neste plano de consciência, uma fuga ou uma ruptura definitiva. É, antes, o reconhecimento sóbrio de que a proximidade se tornou insustentável, tóxica ao ponto de impedir qualquer crescimento. É um ato de autopreservação que exige uma coragem silenciosa, a força de escolher a si mesmo quando o mundo externo pressiona pela manutenção de laços que ferem. A distância criada funciona como um santuário. É o terreno que deliberadamente cercamos para proteger algo vulnerável e precioso que ainda reside em nós: a capacidade de florescer. Algumas sementes internas só conseguem germinar na quietude, longe das sombras e dos ruídos que antes as impediam de receber luz. Este recuo não significa ausência de amor ou de memória; o laço pode persistir, mas sua natureza se transforma. Ele deixa de ser um nó que aperta e passa a ser uma linha de respeito, mesmo que mantida à distância. Proteger o que pode vir a ser é uma das mais profundas manifestações de responsabilidade para com a própria jornada.